1. SOCIABILIDADES E DIVERSIDADES CULTURAIS – SÉCULOS XIX E XX

Prof. Dr. Antonio Emilio Morga (Universidade Federal do Amazonas)

Prof.ª Dra. Maria Teresa Santos Cunha (UDESC – PPG História; PPG Educação)

RESUMO: Propõe-se a discutir práticas de sociabilidade e de diversidade cultural que circularam na sociedade brasileira nos finais do século XIX e primeira metade do século XX, sob forma de discursos menores que desenvolveram mecanismos de sobrevivência e que resultaram na construção de outras identificações culturais. A construção cultural do Brasil permite questionamentos e investigações dos seus contraditórios na formação social e cultural do seu povo. Nessa intricada composição das sociedades citadinas brasileiras do período focado, constituir-se-á objeto de análise a tessitura do viver cotidiano das populações que em diferentes lugares sociais construiu tipologias de sociabilidades e cartografias de diversidades culturais através de fontes em diferentes suportes, tais como: jornais, escritos autobiográficos, relatos de viajantes, imagens, literatura, etc. Portanto, este Simpósio pretende discutir a emergência de outras formas de pensar tais práticas – seja pelo diálogo com as fontes, seja pelas análises historiográficas - que permite ao pesquisador ampliar seu olhar investigativo e, ao mesmo tempo, abrir possibilidades para variadas maneiras de ver e narrar formas de ser e viver de homens e mulheres no período estudado.

2. DIALOGOS MULTIDISCIPLINARES: RELIGIOSIDADES, CULTURA POPULAR E SOCIABILIDADES

Prof. Dr. Cairo Mohamad Ibrahim Katrib (UFU)

Prof.ª Dra. Maria Clara Tomaz Machado (UFU)

RESUMO: O século XXI demarca transformações socioeconômicas substanciais para a sociedade brasileira, quando tradição e modernidade dialogam e instituem novos investimentos e (re) significações estéticas, rítmicas, performáticas e poéticas. Pelas frestas do social se entrevê expressões e linguagens que recriam novas paisagens, espaços e lugares que expõem a criatividade dos anônimos sociais. A tessitura das artesanias, dos tambores das festas, da corporeidade das danças, das sociabilidades do compadrio, do reencontro nas visitações e rezas, dos bailes de roça, do rádio ao pé do ouvido, do compasso e dos ritos, arabescos poéticos que redesenham o social, são ainda capazes de conviver com o homem fragmentado, produtivista? As identidades culturais, nesse processo de mudança, podem conciliar e se recusar à alienação? Essas são questões abertas aos estudiosos da Cultura Popular.

3. DIVERSIDADE RELIGIOSA NO BRASIL

Prof. Dr. Eduardo Gusmão de Quadros (PUC-GO/UEG)

Prof.ª Ms. Raquel Miranda Barbosa (UEG)

RESUMO: Mesmo antes do término do regime do Padroado, já havia uma diversidade de tradições religiosas no Brasil. O processo de diversificação foi intensificado com a laicização jurisdicional e do Estado, em vigor a partir de 1890. O campo religioso brasileiro ganha, desde então, cada vez mais, dinamicidade, criatividade e pluralidade, o que se reflete diretamente na constituição das identidades que o compõem. Este simpósio temático favorece a perspectiva de analisar e compreender historicamente as posições identitárias dentro destas relações de interação e competição pertinentes ao campo do que é considerado sagrado. Fenômenos como a modernização dos vínculos sociais, a capitalização da esfera econômica, a secularização cultural e a subjetivação das crenças se destacam no espaço de debates do simpósio.

4. CULTURA POPULAR, SUJEITOS, SABERES E PRÁTICAS

Prof. Dr. Eduardo José Reinato (PUC-GO)

Prof.ª Ms. Wanderleia Silva Nogueira (UEG-GO)

RESUMO: Objeto de estudos de pesquisadores da envergadura de P. Burke, R. Chartier, M. Certeau e N. Canclini,  os estudos de Cultura Popular foram e são de grande importância para o desenvolvimento de novas perspectivas para os domínios de Clio. Com as transformações sociais neste início de século afetando a indústria cultural, os meios de comunicação de massa, a ascensão cibernética, o consumo exacerbado e a ascensão da pós-modernidade, nos perguntamos: ainda vale trabalhar com cultura e especificamente com popular? Quais os problemas e possibilidades esses objetos e essa delimitação teóricas suscitam?  O objetivo deste simpósio é interrogar as formações identitárias e as sociabilidades que se engendraram a partir de diversas manifestações da cultura e da cultura popular. Ao interessarmos pelos embates e conflitos resultantes do choque entre grupos culturais, é fundamental não esquecer os encontros, as trocas, a recepção e a interpenetração entre culturas, buscando analisar a forma como os diversos elementos envolvidos se interpretavam, compreendiam, ou não, as práticas culturais uns dos outros. Esperamos poder discutir trabalhos que, se preocupem com a cultura e a cultura popular em suas múltiplas formas, do século XIX ao XX.

5. GÊNERO FEMININO E DIVERSIDADE CULTURAL

Prof.ª Dra. Marciana Gonçalves Farinha (UFG-Jataí - Psicologia)

Prof.º Ms. Valquíria Coelho Pina Paulino (UFG-Jataí – Enfermagem)

RESUMO: O gênero como elemento constitutivo das relações sociais entre homens e mulheres, é uma construção social e histórica. É construído e alimentado com base em símbolos, normas, instituições que definem modelos de masculinidade e feminilidade e padrões de comportamento. O gênero delimita campos de atuação, dá suporte a elaboração de leis e suas formas de aplicações. Também está incluída no gênero a subjetividade de cada sujeito. È também uma construção social e histórico. Este simpósio se propõe pensar e articular estudos desenvolvidos por pesquisadores tendo como temática a diversidade cultural sob a perspectiva do gênero feminino. Pretende-se discutir e abrir espaço para trabalhos de diferentes áreas do conhecimento que foquem questões de gênero. O objetivo deste simpósio é abrir espaço para o diálogo e construção de saberes envolvendo diferentes áreas do conhecimento que possa refletir a ampliar assim o fazer profissional de cada um.O presente Simpósio Temático será organizado em torno dos seguintes eixos:Eixo 1.Gênero,sexualidade,imagem corporal, corpo feminino. Eixo 2. Mercado de trabalho, maternidade, diversos papeis desempenhados pela mulher. Eixo 3. Cidadania,História da mulher,Direitos humanos, Política Públicas de saúde da mulher, saúde mental.

6. HISTÓRIA E MÚSICA: DIVERSIDADE E INTERDISCIPLINARIDADE

Prof. Dra. Maria Amélia Garcia de Alencar (UFG – PPG História)

Prof. Helder Canal de Oliveira (UFG)

RESUMO: Todo contexto sociocultural têm manifestações estéticas. Estas são as mais diversas possíveis, existindo assim várias artes. Ao estudar, investigar, analisar alguma arte, estuda-se, investiga-se, analisa-se ao mesmo tempo a realidade sociocultural que a criou, incluindo as relações sociais que são travadas no cotidiano e os distintos grupos que a compõem. Dentro dessa diversidade artística pretende-se focar a relação entre história e música e as suas múltiplas perspectivas, pois há um imenso repertório de composições, estilos, interpretações, tradições, afinações etc. Como Marcos Napolitano apontou, a música alcançou um alto grau de reconhecimento cultural por abarcar o grande mosaico social da humanidade. Assim, a música mostra os dilemas, dramas, indagações, felicidades do homem nas relações sociais dentro de seus contextos socioculturais. Além disso, essa relação traz algumas implicações metodológicas, pois não é possível analisar aspectos musicais isoladamente, como letra, melodia, arranjos, interpretação, etc. Como se pode observar a relação entre cultura e música é muito diversa e complexa, sendo problemático restringir a discussão a apenas um aspecto. Pretende-se, então, com este simpósio temático, abrir um canal de discussão interdisciplinar para essa temática.

7. HISTÓRIA, EDUCAÇÃO E DIVERSIDADE ÉTNICO-RACIAL

Prof.ª Dra. Cristiane Maria Ribeiro (UFG – FE)

Prof. Ms. Murilo Borges Silva (UFG-Jataí)

Os anos 90 e início dos anos 2000 marcaram significativamente a produção intelectual sobre a população negra no Brasil. Com a perspectiva de ampliar e revisar as discussões relacionadas à temática, vários pesquisadores passaram a considerar em seus estudos as experiências cotidianas dos negros, evidenciando-os enquanto sujeitos históricos e sociais. Nesse período, diversas pesquisas sobre a população negra – envolvendo diferentes referenciais teóricos, fontes e metodologias – utilizaram-se dos pressupostos da História, Sociologia, Antropologia e Educação, aproximando as discussões sobre o tema dessas áreas de investigação. É nesse contexto que se insere esse simpósio temático que propõe discutir de forma interdisciplinar temas como: a história da educação dos negros no Brasil, educação para as relações étnico-raciais e políticas públicas de ações afirmativas. Espera-se assim proporcionar aprendizagens que possam ampliar nossas compreensões sobre história, educação e diversidade étnico-racial.

8. A DIDÁTICA DA HISTÓRIA E OS USOS PÚBLICOS DO CONHECIMENTO HISTÓRICO

Prof. Dr. Rafael Saddi (UFG)

Prof. Ms. Euzebio Carvalho (UEG/UnU Porangatú)

RESUMO: Partimos do entendimento presente na historiografia alemã, para a qual a Didática da História é uma disciplina inerente à Ciência Histórica que tem como objetivo garantir que ela não se isole da vida prática dos homens. Para isso, a Didática da História não pode se restringir à metodologia do ensino de História nas escolas (SADDI, 2010, p.78). O presente simpósio temático pretende reunir comunicações que problematizem o conhecimento histórico, teórica e didaticamente orientados, preservando suas relações com a vida prática dos indivíduos e sua cultura. Para Rüsen, não há cultura sem um elemento constitutivo de memória comum. Ao relembrar/interpretar/representar o passado as pessoas compreendem sua vida cotidiana e desenvolvem uma perspectiva futura delas próprias e de seu mundo. Desta forma, a reminiscência interpretativa do passado serve à orientação, individual e coletiva, no presente. Por isto, precisamos olhar teoricamente para a idéia de historiografia de nossa cultura e revelar seus parâmetros ocultos. Uma reflexão teoricamente informada pode evitar o imperialismo cultural existente em nós mesmos, ou seja, produzir a consciência das relações de poder implícitos em nossa cultura (2006, p.116;118).

9. HISTÓRIA, LITERATURA, CIDADES: INTERCRUZAMENTO CULTURAL

Prof. Dr. Marcos Antonio de Menezes (UFG-Jataí)

Prof. Ms. Rodrigo de Oliveira Soares (UFG)

RESUMO: A proposta deste Simpósio Temático é tomar a cidade e a literatura produzida sobre ela como material de estudo que nos possibilite interver pelas frestas o passado e propor intervenções sobre o presente. A cidade do século XIX e XX é a Babel que prospera com a perda das conexões e a falta de referência aos valores do passado; palco para a atrofia progressiva da experiência relativa à tradição, à memória válida para toda a comunidade, substituída pela vivência do choque ligada à esfera do individual. Essa nova atmosfera propiciou o surgimento da literatura sobre a nascente grande cidade. A literatura surgida a partir de meados do século XIX é tipicamente citadina. Indagar sobre as representações da cidade na cena escrita construída pela literatura é, basicamente, ler textos que leem a cidade, considerando não só os aspectos físico-geográficos (a paisagem urbana), os dados culturais mais específicos, os costumes, os tipos humanos, mas também a cartografia simbólica em que se cruzam o imaginário, a história, a memória da cidade e a cidade da memória. É, enfim, considerar a cidade como um discurso, verdadeiramente uma linguagem, uma vez que fala a seus habitantes, revela a eles suas partes e seu todo.

10. HISTÓRIA, POVOS INDÍGENAS E INTERCULTURALIDADE

Prof.ª Dra. Iára Quelho de Castro (UFMS)

Prof.ª Dra. Vera Lúcia Ferreira Vargas (UFMS)

RESUMO: O simpósio ora proposto insere-se no debate teórico-metodológico concernente à construção do conhecimento histórico sobre os povos indígenas no Brasil. Abre-se para relatos, narrativas e sínteses constituídos no interior do campo da história, com a pretensão de discutir as formas por meio das quais os povos historicamente discriminados e excluídos vêm sendo concebidos. Parte dos pressupostos de que o fortalecimento do poder dos grupos marginalizados passa necessariamente pela escrita das suas histórias que, de um modo geral, é realizada em sociedades marcadas por mecanismos estruturais de desigualdades e discriminação e que o diálogo entre diferentes grupos socioculturais pode e deve ser alargado, considerando-se que as práticas — inclusive as discursivas — e ações sociais podem criar maneiras de responsabilidade e solidariedade, adequadas para a afirmação de uma sociedade plural e democrática, convicta do valor da dignidade humana como seu bem maior.

11. DIVERSIDADE E RELIGIÃO NO BRASIL: HISTÓRIAS, MEMÓRIAS E LEMBRANÇAS

Prof. Dr. José Maria Baldino (PPG Educação PUC-GO)

Prof. Ms. Raimundo Márcio Mota de Castro (UEG/FANAP)

RESUMO: Desde sua colonização o Brasil constituiu-se como um país cristão. Ao empunhar a bandeira da cristandade percebem-se no decorrer da História inúmeras ingerências, promovidas e motivadas pelas questões religiosas. O presente simpósio objetiva debater as tensões oriundas dos embates entre religião e diversidade nos mais diversos campos das relações sociais, que vão desde a educação até a política. Por meio de pesquisas que analisam documentos históricos ou utilizam-se de memórias e lembranças (história oral) busca-se entender como se processam as lutas, quais as ideologias subjacentes e quais os caminhos a se buscar. Priorizam-se os relatos oriundos de pesquisas educacionais e históricas que considerem as relações antagônicas entre o confessional e o laico, entre público e privado e ainda, os debates sobre gênero, raça e crença.

12. ESTUDOS FOUCAULTIANOS E HISTÓRIA: PRÁTICAS DISCURSIVAS DE SUBJETIVAÇÃO NA SOCIEDADE DE CONTROLE

Profª Drª Mara Rúbia de Souza Rodrigues Morais (IFG – Jataí)

Profª Drª Maria de Lourdes Faria dos Santos Paniago (UFG – Jataí – Letras)

RESUMO: Este Simpósio pretende congregar estudos que privilegiem a interface dos trabalhos de Michel Foucault com os pressupostos da História Nova, para compreender aspectos políticos e culturais materializados na linguagem. Especificamente, ele pretende reunir pesquisas que se filiem aos eixos ontológicos do percurso foucaultiano (ser-saber-si), os quais reafirmam o caráter disperso e descontínuo da história, traduzido pelas estruturas do cotidiano, e convergem para a concepção do discurso como prática que forma sistematicamente os objetos (entre eles, o sujeito). Uma vez que os discursos constitutivos das subjetividades contemporâneas se produzem sob a determinação dos códigos de saber e poder, mas também por meio da resistência a esses códigos, este Simpósio se apresenta como um espaço produtivo para a análise da produção de identidades historicamente assinaladas. Constitui-se, portanto, como uma oportunidade de interlocução entre os trabalhos de historiadores e linguistas que focalizem a articulação das relações de saber e poder para compreender os modos de objetivação e as possibilidades de subjetivação e liberdade constituídas por diversos discursos que circulam na sociedade de controle. Visto que existe sempre uma historicidade implicada na produção dos sentidos e que o enunciado é atestado no interior do arquivo, este Simpósio abriga, enfim, trabalhos de analistas do discurso, que se inscrevem no espaço de Intercessão da língua com a história e o sujeito.
Palavras-chave: Foucault; discurso; história; sujeito; sociedade de controle.

13. LINGUAGEM E CULTURA: DIVERSIDADE IMPLÍCITA, EXPLÍCITA E INEFÁVEL

Prof.ª Dra. Neuda Alves do Lago (UFG- Jataí – Letras)

Prof. Talles Henrique Alves de Lima (UFG – Jataí – Letras)

RESUMO: Levando em consideração que a diversidade cultural configura-se como um marco do desenvolvimento humano, em termos de busca da realização plena nos aspectos sociais, econômicos, políticos, intelectuais, afetivos, morais e espirituais, neste simpósio serão discutidas questões relativas às manifestações culturais nos distintos tipos de linguagem. Assim, serão apresentados trabalhos concernentes a tópicos como: linguagem, gênero e identidade cultural; desafios multiculturais para a comunicação; variedade lingüística e cultural; diversidade cultural na literatura; relações semióticas, intrasemióticas e intersemióticas no estudo da linguagem e cultura; aspectos culturais no ensino de língua materna e estrangeira; cultura, língua e tecnologias da informação; políticas públicas culturais; desafios da diversidade cultural para o sistema educacional; cultura e relações inter-artísticas; intolerância e estereótipos culturais nas manifestações verbais e não-verbais; tradução e relação intercultural; competência intercultural e aprendizagem de línguas; verbalização das políticas de fomento à diversidade cultural; a linguagem da diversidade cultural no desenvolvimento sustentável; o discurso da paz mundial e a diversidade cultural; produtos culturais e falsa diversidade.

14. OLHARES SOBRE A DIVERSIDADE: GÊNERO, CORPO & SEXUALIDADE

Profª. Drª. Vera Lúcia Puga (UFU);

Prof. Dr. Miguel Rodrigues de Sousa Neto (UFMS/CPAQ)

RESUMO: O simpósio temático “OLHARES SOBRE A DIVERSIDADE: GÊNERO, CORPO & SEXUALIDADE” é proposto com vistas à socialização e debate, sendo apresentado, com modificações, pelo terceiro ano consecutivo. Ansiamos receber propostas de comunicações que nos permitam socializar resultados de pesquisa e, principalmente, verticalizar reflexões e debater teórica e metodologicamente os trabalhos apresentados neste simpósio, no seio da diversidade presente na historiografia contemporânea e na proximidade com as ciências co-irmãs. Se, durante séculos, o corpo e a sexualidade estiveram interditados por uma norma hegemônica sexista, machista, heterótica, patriarcal, tal prática também revestiu o fazer histórico de interdições. Os movimentos sociais que têm sua origem no corpo, na sexualidade, no gênero, em suas representações e nos tensionamentos em que estão envolvidos e que, por vezes, são marcados pela violência – sutil, cotidiana, pautada na injúria, na submissão psicológica e física e mesmo na eliminação física –, são hoje tomados para análise no campo da História e pelo amplo campo interdisciplinas dos estudos de gênero e dos estudos queer. Os movimentos feministas, em suas diversas temporalidades e feições, a violência de gênero e os movimentos de afirmação de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros, bem como suas representações, a sexualidade e suas diversas expressões e representações (artísticas, corporais, sociais), notadamente aquelas divergentes da heteronormatividade e os embates sociais que de tais expressões surgem, são objeto de nossas preocupações.

15. TERRITÓRIOS DA HISTÓRIA POLÍTICA: FONTES, MÉTODOS E OBJETOS

Prof. Dr. Carlos Martins Júnior (UFGD)

Prof. Dr. Edvaldo Correa Sotana (UFMS)

RESUMO: Ao seguir as considerações de Rene Remond, na obra Por uma história política (1996), é possível observar a existência de uma diversidade de setores no mundo social. Ainda segundo o autor, o social, o econômico, o cultural e o político se “influenciam mutua e desigualmente segundo as conjunturas, guardando ao mesmo tempo cada um sua vida autônoma e seu dinamismo próprios” (p. 10). Apesar de possuir especificidades, o político se liga a outros aspectos da vida coletiva, característica que torna fundamental discutir o conhecimento produzido pelos pesquisadores voltados para desvendar os territórios desta área. Desse modo, o presente simpósio busca refletir teoricamente sobre os elementos constituintes do político e sobre os diálogos da história política com outras áreas do conhecimento, sobretudo com a história cultural, na construção de uma cultura política e suas representações e práticas. Nesse ponto, parece possível pensar conceitos como o de cultura política, entendido como “conjunto de crenças, ideias, normas e tradições que dão um peculiar colorido e significado à vida política em determinado contexto”, tão fundamental para compreender “as motivações dos atos dos homens num momento da sua história”. Além disso, o simpósio objetiva promover discussões sobre diversos aspectos teórico-metodológicos relativos à produção do conhecimento, voltando-se, assim, para o debate sobre a diversidade de fontes, técnicas, métodos, conceitos e vocabulários utilizados pelos historiadores. O simpósio procura, ainda, receber trabalhos ocupados em desvendar as práticas sociais e representações político-culturais geradas no/pelo campo político brasileiro, expressas no pensamento e na ação de intelectuais e outros agentes sociais, bem como no amplo espectro das instituições estatais e da sociedade civil, a exemplo de instituições militares, partidos políticos, sindicatos, escolas, igreja, família, meios de comunicação, etc.

16. “GUERRA FRIA, IMPERIALISMO E MILITARISMO NA AMÉRICA LATINA”

Prof.ª Dra. Lilian Marta Grisolio Mendes (COGEAE/PUC-SP)

Prof. Ms. Adriano Marangoni (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo)

RESUMO: O objetivo que move o Seminário Temático “Guerra Fria, Imperialismo e Militarismo na América Latina” é o de reunir trabalhos que façam a reflexão sobre as relações que se desenvolveram entre os Estados Unidos e a América Latina após a Segunda Guerra Mundial. Um dos objetivos é congregar trabalhos sobre a Guerra Fria e os embates ideológicos típicos do período. Além disso,tendo como ponto de partida as diversas ações político-militares dos Estados Unidos na América Latina nas últimas décadas, (como o Plano Colômbia, as bases do Equador, as intervenções no Haiti e Venezuela, entre outras e as ações econômicas - NAFTA, ALCA, Pacto Andino), pretende-se neste ST enfatizar as discussões críticas sobre o imperialismo e o militarismo na região.
Deste ponto de vista, o ST visa congregar trabalhos que compreendam as diversas esferas de estudo contemplando: Anticomunismo, Arte e Ideologia: cinema, quadrinhos e afins, Mídia e Ideologia, Relações Internacionais entre países dos blocos comunista e capitalista, A questão da democracia na América Latina, Partidos Políticos e Ideologia, Neoliberalismo e o Novo Imperialismo, blocos econômicos como MERCOSUL, NAFTA e ALCA, estudos comparados Brasil e Estados Unidos, Americanização, Intervenção norte-americana, entre outras temáticas que circundam o tema central.

17. DA TRANSA AO TRANSE: CORPO, ARTE E RELIGIOSIDADE

Prof. Dr. Paulo Petronilio (UNB)

Prof. Ms.Vinicios Ribeiro (UFRJ)

RESUMO: O objetivo deste Simpósio é cartografar as epistemologias e experiências das visualidades e das corporeidades nas manifestações artísticas e/ou religiosas, tendo também como horizonte a política da imagem do transe, numa transa que trança a trilogia corpo-arte-religiosidade, assim como a profanação e transgressão do corpo. Desse modo, a corporeidade assume uma dimensão estética na medida em que se desenha um imaginário que compõe, como no Candomblé, o complexo yorubá e faz do Terreiro uma obra de arte. Em outras palavras, existe uma transa entre o transe e o corpo nas religiões de matrizes afro-brasileiras na medida em que o corpo transforma-se na figura e no fundo, pois é ele, o cimento, o pivô, a ponte e o sustentáculo que dão possibilidades para o homem girar em si e fora de si em um movimento complexo em busca de um corpo múltiplo que pulula e transita nos vários eus que habitam o corpo mediúnico e, de certa forma, o humano em forma de arte. O corpo e seus duplos na arte contemporânea, no teatro, na comunicação, no cotidiano, nas dimensões sensíveis, nas afecções e nas intersecções entre gênero e sexualidade nos colocam potências profanadoras e transgressoras, formas de vida e estéticas das existências que habitam o mundo.

18. O MITO DE ECO E NARCISO: COMO O MITO LÊ A RELAÇÃO ENTRE HOMEM E SOCIEDADE

Prof.ª Dra. Fernanda Cunha Sousa (UFG- Jataí – Letras)

Prof.ª Dra. Tatiana Franca Rodrigues Zanirato (UFG)

RESUMO: As Metamorfoses, do poeta latino Ovídio, são um conjunto de histórias que fabulam sobre a origem do universo. Essas histórias, como entende Aristóteles na sua Poética, são como intervenções da ficção sobre a realidade e, por isso, criam uma perspectiva, uma visão de mundo, em que a poesia se insere como um discurso de verdade possível sobre a cultura e sociedade. De acordo com o filósofo, essa relação ambígua entre o poeta e o historiador cria um ambiente verossímil no qual história e arte se (con)fundem como desdobramentos uma da outra.
Através da investigação dessas relações no mito de Eco e Narciso, quer-se elaborar como a fabulação do mundo cria uma compreensão de realidade e como a importância da linguagem permanece como caráter cultural formador de uma civilização.
O trabalho com o texto de Ovídio nos permitirá discutir sobre a importância do conhecimento, da paixão, do poder e da linguagem na formação socio-histórica da cultura ocidental.

19. MÍDIA E HISTÓRIA NO BRASIL CONTEMPORÂNEO: ESTUDOS DE CINEMA E TELEFICÇÃO

Prof. Dr. Roberto Abdala Junior (UFG-FH)

RESUMO: O simpósio abrigará estudos sobre os meios de comunicação e a história do Brasil contemporâneo, privilegiando as mídias que empregam linguagens audiovisuais. O objetivo é colocar em debate como aspectos da história social têm sido abordados pelas obras que o cinema e a televisão produzem e colocam em circulação na cultura. Não se trata, pois, de estudar as obras cinematográficas ou tele ficcionais em si, mas sim como elas: 1) “interpelam” o público (Rüsen), “dialogando” (Bakhtin) com a cultura histórica que este, supostamente, detém; 2) consistem em fonte histórica por indicarem aspectos, elementos, representações que não podem ser observadas noutras fontes.

Nossa expectativa é que, no conjunto, as apresentações possam iluminar novas formas de refletir e analisar a construção da cultura histórica contemporânea seja no campo escolar, acadêmico ou do homem comum – “ordinária” (Williams).