27 a 29 de setembro de 2016
Jataí - GO
UFG - Câmpus Cidade Universitária
ISSN 21781281
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10. “Hoje sou a física de einstein”: eróticas do corpo pela performance no século XX
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10. “Hoje sou a física de Einstein”: eróticas do corpo pela performance no século XX

 

Coordenadores: Robson Pereira da Silva (Mestre em História/PPGHIS/UFG/Goiânia)
                        Antonio Ricardo Calori de Lion (Mestrando em História/UNESP/Assis) 

 

Ementa:

Ementa: O objetivo dessa proposta de minicurso busca articular a dimensão contextual e sensível da segunda metade do século XX, sobretudo a partir de 1960, na viabilização da percepção do corpo como objeto de arte e produtor das mais diversas eróticas, sobretudo as não hegemônicas. Desse modo, os corpos respondem, reagem, agem como produtores de discursividades.  Nessa perspectiva, analisaremos por meio de performances artísticas intercalando-se as alterações que esse novo paradigma, a performance, oportunizou na História Contemporânea. Nesse processo de intersecção entre corpo como produtor de áudio-visualidades, pode-se, consubstancialmente, investigar uma “partilha do sensível” que inferiu no próprio campo, o da arte, dialogicamente interligando estética com política; a partir de um princípio comunicacional de ascensão do mass mída. Nesses procedimentos investigativos destacamos os trabalhos de Andy Warhol, Bruce Nauman, Carolee Schneemann, Brett Baley, Hélio Oiticica, Lygia Pape, entre outros. Percebemos, ainda que, em caráter de elucidação, os trabalhos destes artistas como um ato de profanação com, e, pelo corpo, como suporte e meio, sendo este ato de quebra aos valores convencionais na arte e sociedade, sobretudo na própria história da arte. No Brasil, buscar-se-á, nesse minicurso, contrapor-se a historiografia contemporânea que tenta, de forma ainda incipiente, abordar questões de sujeitos (as) abjetas (os) ao longo da História do Brasil principalmente no que se refere aos estudos históricos acerca de travestis, transexuais e abordagens sobre personas à margem da hetero-cis-normatividade, produtor (as) de novas corporeidades. Diante de uma lacuna tão profunda sobre o assunto dentro da ciência histórica, se torna complexo – porém importante – estudos voltados para eróticas travestis, eróticas transexuais, eróticas intersexuais, etc. A complexidade citada se dá por falta de grande número de referenciais teóricos e/ou metodológicos para escrever tais histórias que, comparada às ciências “primas” na área das Humanidades, se torna conservadora para olhar/sentir/dizer sobre demandas de grupos que hoje conseguiram certa visibilidade e direitos. Portanto, pensando a História com o diálogo múltiplo e plural entre outros campos de saberes, propõe-se trazer uma abordagem com suporte bibliográfico elucidativo sobre sujeitas(os) queers ao longo do século XX, dando ênfase para pessoas trans. Coloca-se também uma reflexão sobre o “transformismo” na segunda metade deste século, chamado atualmente de performance drag queen, por meio do Teatro de Revista e documentos como críticas teatrais em jornais e reportagens em revistas, além da música e do cinema. Com referências como James Green (2000); João S. Trevisan (2002); Judith Butler (2015); Joan W. Scott (1995) espera-se (re) pensar a História por uma abordagem queer.

  

Forma de desenvolvimento do curso: 

Inicialmente abordando a temática por uma explanação contextual, via balanço bibliográfico sobre as eróticas não hegemônicas, passa-se para uma reflexão acerca da performatividade de travestis, drag queens e transexuais femininas a partir dos anos 1950 pelo teatro, música e cinema.

A conclusão desta miniaula se dará no início dos anos 1990, com uma rápida passagem pela atual década enfatizando novas visibilidades proporcionadas a sujeitas(os) trans pela internet (a música funk divulgada por redes sociais, youtubers, webséries) e stand-up comedy.

Por peças teatrais de revista dos anos 1950 (fotos e críticas jornalísticas de Paschoal Carlos Magno) lança-se luz sobre Ivaná, uma vedete caracterizada pela mídia da época como uma travesti, que atuou nas Companhias Walter Pinto e Zilco Ribeiro. Também serão utilizadas imagens de um filme em que faz uma aparição, de 1954.

A partir da década de 1960 aparecem outras personalidades trans no meio artístico nacional e por apresentação expositiva de imagens e vídeos recortados de filmes e documentários como Sexo dos Anormais; Meu Amigo Cláudia; a novela Tieta e entrevistas de Phedra de Córdoba almeja-se problematizar as experiências de atrizes travestis e transexuais ao longo da segunda metade do século XX colocando em evidência as resistências frente ao estigma, a censura, a perseguição política durante a ditadura civil-militar, a transfobia e a grande catástrofe pós-HIV/aids. 

 

Objetivos: 

  • Abordar historicamente eróticas trans, para pensar sujeitos (as) marginalizados (as) sob outra ótica, entrelaçando-se com o processo histórico de seu tempo;
  • Elucidar a performance de personagens à margem dos padrões impostos (sexuais, raciais e de gênero) pelas artes (teatro, música e cinema);
  • Traçar uma abordagem pelo diálogo interdisciplinar que elucide uma historiografia de travestis e transexuais.

Programação do Minicurso:

28/09/2016

- Trajetórias e práticas da performance ao redor do mundo, no século XX:

- Abordagem das investigações produzidas pela performance art

- Debate de obras e artistas que privilegiaram o corpo como objeto profanador.

- Desdobramentos da performance no campo das artes

- Quais os efeitos e prática dessas poéticas no Brasil

 

29/09/2016 -  Parte I (matutino)

- Experiências e Performances de travestis, transexuais e drag queens no século XX.

- Abordagem contextual por balanço bibliográfico sobre os sujeitos (as) queer;

- Discussão da ideia de “travestilidade” na História e a ameaça de anacronismos;

- Ivaná, teatro de revista e a aparição primeira de uma outra estética travesti no entretenimento (1950-1960);

- Ditadura civil-militar e resistências de travestis e transexuais;

- Anos 1980: Cláudia Wonder no teatro, na música e no cinema – a performance de uma vida;

 

29/09/2016 -Parte II (noturno)

- Debates: Século XXI, década de 10 – novas visibilidades, possibilidades e interações pela internet.

 

Bibliografias Báscias:  

BRASIL. COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE.  Capítulo 10 - Violência sexual, violência de gênero e violência contra crianças e adolescentes. In: ______. Relatório da CNV - Volume I. Brasília: CNV, 2014.

______.  Capítulo 7 - Ditadura e homossexualidades. In: ______. Relatório da CNV - Volume II – textos temáticos. Brasília: CNV, 2014.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero - feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. 8ª Ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.

GREEN, James Naylor. Além do Carnaval: a homossexualidade masculina no Brasil do século XX. São Paulo: Editora Unesp, 2000.

______; QUINALHA, Renan. Ditadura e Homossexualidades: repressão, resistência e busca da verdade. São Carlos: EdUFSCAR, 2014.

PERES, Wiliam Siqueira. Travestis Brasileiras: dos estigmas à cidadania. Curitiba: Juruá, 2015.

SCOTT, Joan Wallach. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, vol. 20, nº 2, jul./dez. 1995, pp. 71-99.

SILVA, Robson Pereira da. Alegria carnaval: sujeitos marginais e sexualidade em cena no Brasil da redemocratização no Álbum Mato Grosso (1982). In: Métis: história & cultura, v. 13, n. 26, jul./dez. 2014, p. 121-150.

TOKUDA, André Masao Peres; PERES, Wiliam Siqueira. Teoria Queer e as identidades cristalizadas masculinas de sujeitos presos. In: Anais do III Simpósio Gênero e Políticas Públicas, Universidade Estadual de Londrina, 27 a 29 de maio de 2014.

TREVISAN, João Silvério. Devassos no Paraíso: a homossexualidade no Brasil, da colônia à atualidade. 5ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2002.

FOUCAULT, Michel. História da sexualidade 2: o uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Graal, 1984.

RAGO; Margareth; VEIGA-NETO, Alfredo (Orgs.). Para uma vida não-fascista. Belo Horizonte: Autêntica.

AGAMBEN, Giorgio. Homo Sacer – O poder soberano e a vida nu I. 2ª ed. Belo Horizonte: UFMG, 2012.

CAUQUELIN, Ane. Arte contemporânea: uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

COHEN, Renato. A Performance Como Linguagem. São Paulo: Perspectiva, 2004.

COSTA, Luiz Cláudio da. O cinema expandido de Andy Warhol: repetição e circulação. Revista Poesis. Nº 12. Rio de Janeiro: UFF, 2008.

CREVEL, Judith. Foucault conceitos essenciais. São Carlos: Claraluz, 2005.

DELEUZE, Giles; GUATTARI, Félix. Mil platôs - capitalismo e esquizofrenia.Vol.3. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1996.

FOUCAULT, Michel. Nascimento da Biopolítica – Curso dado no Collége de France (1978-1979). São Paulo: Martins Fontes, 2008.

GLUSBERG. Jorge. A arte da performance. São Paulo: Perspectiva, 2005.

JOSEPH, Branden W. ‘My Mind Split Open’: Andy Warhol’s Exploding Plastic Inevitable. IN: LEIGHTON, Tanya (Org.). Art And The Moving Image – A Critical Reader. Londres: Afterall Tate, 2008.

KRAYNAK, Janet. Dependent Participation: Bruce Nauman’s enverionments. In: LEIGHTON, Tanya (Org.). Art And The Moving Image – A Critical Reader. Londres: Afterall Tate, 2008. 

LEE, Pamela. Bare Lives. In: LEIGHTON, Tanya (Org.). Art And The Moving Image – A Critical Reader. Londres: Afterall Tate, 2008. 

MATESCO, Viviane. Corpo, ação e imagem: consolidação da performance como questão. Revista Poeisis, nº 20. Rio de Janeiro: UFF, 2012.

NORONHA, Márcio Pizarro.  Imagens do corpo e embodiment das imagens. A circulação da imagem corporal em uma perspectivahistórica (artística) e antropológica (estética). Revista Sociedade e Cultura. V. 8, n. 2. Goiânia: UFG, 2005.

______. Performance e audiovisual: conceito e experimento interartístico-intercultural para o estudo da história dos objetos artísticos na contemporaneidade. In: XXVICBHA – Anais do Colóquio do Comitê Brasileiro de História da Arte. São Paulo: XXVICBHA, 2006.

PERL, Jed. New Art City. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível: estética e política. 2ed. Trad. Mônica Costa Netto. São Paulo: Exo/ Editora 34, 2009.

VENTÒS, Xavier Rubert de. Teoría de La Sensibilidad. 3ed. Barcelona: Edicones Península, 1979.


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